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Teste ao VIH através da saliva demonstra resultados fiáveis na África Austral
Michael Carter, Thursday, June 19, 2008
Um estudo conduzido na Namíbia e publicado na primeira edição de Maio do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes demonstrou a grande fiabilidade de dois testes orais para o VIH. Os estudos foram efectuados em doentes infectados pelo subtipo C do VIH e o teste OraQuick demonstrou ser 100% correcto enquanto que o teste OraSure demonstrou ser 98% fiável. Os investigadores acreditam que estes testes poderão ser utilizados para ajudar a diagnosticar o VIH em regiões de recursos limitados, permitindo desta forma a recolha de informação epidemiológica.

É importante ter acesso a informação correcta sobre os dados epidemiológicos de forma a desenhar iniciativas apropriadas de prevenção e acesso ao tratamento. Esta é a situação da África Austral, onde a epidemia continua a aumentar. A disponibilização dos testes orais pode ser uma ferramenta muito útil no estabelecimento destes projectos de vigilância epidemiológica.

Os dois testes orais, (OraQuick e OraSure), foram aprovados nos E.U.A. e têm provado ser capazes de diagnosticar correctamente a infecção pelo VIH. Contudo, os estudos sobre a eficácia destes testes foram realizados em países cujos doentes estão, na sua maioria, infectados com o subtipo B do VIH. Existe, ainda, pouca informação disponível sobre a utilização destes testes em regiões onde os doentes estão infectados com outros subtipos do VIH.

Assim, os investigadores desenharam um estudo transversal de forma a obter informação sobre a real eficácia destes dois testes. O estudo envolveu 273 mulheres grávidas da Namíbia com estatuto serológico desconhecido. Nesta região o subtipo predominante da infecção é o C.

As amostras foram recolhidas utilizando os dois testes (OraQuick e OraSure). De modo a permitir validar a eficácia da resposta dos testes orais foi igualmente recolhida uma amostra de sangue que foi testada para os anticorpos do VIH.

As amostras sanguíneas mostraram que 70 (26%) das mulheres estavam infectadas pelo VIH. Os testes OraQuick foram disponibilizados para as 273 mulheres e os seus resultados foram 100% exactos. Seis dos testes OraSure foram excluídos por não terem sido correctamente identificados e três (1.1%) (dois falsos-negativo e um falso-positivo) não correspondiam ao resultado obtido através da análise sanguínea.

Os investigadores acreditam que os resultados dos dois testes falso-negativo podem ter sido provocados por uma amostra insuficiente de saliva ou talvez porque as mulheres infectadas tinham um nível muito baixo de anticorpos do VIH.

De acordo com os investigadores, este é o primeiro estudo relatar o desempenho do teste ELISA (sangue) em comparação com o teste na saliva, numa população predominantemente infectada pelo subtipo C”. Acrescentam que “tendo em conta a predominância do subtipo C em algumas áreas de alta prevalência como a África Austral, a África Oriental e a Índia, a validação dos testes na saliva pode ser uma mais valia para melhorar a vigilância epidemiológica onde eles são mais necessários”.


Reference
Hamers RL et al. Diagnostic accuracy of 2 oral fluid-based tests for HIV surveillance in Namibia. J Acquir Immune Defic Syndr 48: 116 – 118, 2008.