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Carga viral detectável significa risco de superinfecção nos casais VIH-positivos de longa data
Um grupo de investigadores norte-americanos detectou o que parece ser dois casos de superinfecção pelo VIH, em homens homossexuais com infecção crónica a fazer terapêutica anti-retroviral (TARV). Os casos são descritos na edição de Maio da PloSOne. Embora a superinfecção se tenha dado, como foi dito, em casais a tomar medicamentos ARVs, é de notar que em ambos os casos a carga viral se encontrava detectável.
O relato de alguns casos individuais e alguns estudos de coortes têm mostrado que é possível que as pessoas se infectem com mais de uma estirpe de VIH. Estas situações dividem-se em dois grupos: a co-infecção, quando um indivíduo é infectado logo da primeira vez e simultaneamente por mais do que uma estirpe do VIH; e a super-infecção, quando um indivíduo é infectado por uma estirpe e, numa ocasião posterior, infectado por uma segunda.
Foi neste contexto, e de forma a compreender melhor os riscos da superinfecção, que um grupo de investigadores da Universidade de Washington, em Seattle, nos EUA, seguiu um grupo de oito casais gay de longa data, em que ambos os elementos eram seropositivos.
Os 16 indivíduos incluídos nesta análise pertenciam a um outro estudo, em que se estudava a associação entre o VIH e o desenvolvimento de cancro anal (o Male Anal Health Study). Todos os 16 homens tinham verrugas ano-genitais.
Para o estudo agora em apreço, procedeu-se à análise das amostras de sangue recolhidas no outro estudo, aos 11 e aos 71 meses após o seu início, de modo a verificar-se se tinha ocorrido ou não superinfecção.
Também se procedeu à colheita das histórias sexuais detalhadas de cada um dos 16 participantes, que revelaram que, durante o período do estudo, 75% de todos os episódios de sexo anal receptivo haviam sido realizados sem protecção.
Os testes utilizados pelos investigadores para a detecção de superinfecção incluíram isolamento do VIH, PCR, clonagem, sequenciação, análise filogenética, análise PCR estirpe-específica e análise de recombinação.
Os homens encontravam-se na relação com o parceiro há entre 3 e 15 anos. À excepção de um, todos tinham começado terapêutica ARV. Entre estes, apenas três apresentaram uma carga viral indetectável em todas as consultas do estudo.
A sequenciação viral mostrou que um doente tinha adquirido duas estirpes de VIH diferentes na altura da sua infecção inicial.
As restantes análises mostraram ter ocorrido superinfecção em dois casais. Apesar de se encontrarem a fazer TARV, foi detectada carga viral no indivíduo transmissor. “A adesão destes participantes à TARV era incompleta, como é evidenciado pela proporção de consultas de seguimento em que se detectou carga viral”, referem os autores do estudo.
“Três indivíduos apresentaram supressão da replicação viral em todas as visitas; nenhum deles pertencia a casais em que se detectou a transmissão do vírus”, comentam os investigadores, que acrescentam: “é razoável ver as pessoas que estão a fazer TARV como estando, pelo menos, parcialmente protegidas da aquisição de estirpes adicionais de VIH”.
Também sugerem uma possível razão para que os indivíduos com infecção VIH crónica apresentem um risco menor do que os recém-infectados de superinfecção. Referem: “em pessoas com infecção VIH estabelecida, há menos células do hospedeiro vulneráveis a novas estirpes virais”.
No que se refere às consequências clínicas destes dois casos de superinfecção, os autores não forneceram nenhuma informação. A autora do estudo, a Dra. Mary Campbell, disse ao aidsmap: “Também não conseguimos determinar se a superinfecção teve ou não implicações clínicas neste grupo, devido ao período relativamente curto de duração do estudo”.
“Estes dados devem constituir um alerta para o facto de que as medidas de precaução entre indivíduos infectados são necessárias”, concluem os investigadores.
Referência
Campbell MS et al. HIV-1 superinfection in the antiretroviral therapy era: Are seroconcordant sexual partners at risk? PLos One 4: e5690, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
O relato de alguns casos individuais e alguns estudos de coortes têm mostrado que é possível que as pessoas se infectem com mais de uma estirpe de VIH. Estas situações dividem-se em dois grupos: a co-infecção, quando um indivíduo é infectado logo da primeira vez e simultaneamente por mais do que uma estirpe do VIH; e a super-infecção, quando um indivíduo é infectado por uma estirpe e, numa ocasião posterior, infectado por uma segunda.
Foi neste contexto, e de forma a compreender melhor os riscos da superinfecção, que um grupo de investigadores da Universidade de Washington, em Seattle, nos EUA, seguiu um grupo de oito casais gay de longa data, em que ambos os elementos eram seropositivos.
Os 16 indivíduos incluídos nesta análise pertenciam a um outro estudo, em que se estudava a associação entre o VIH e o desenvolvimento de cancro anal (o Male Anal Health Study). Todos os 16 homens tinham verrugas ano-genitais.
Para o estudo agora em apreço, procedeu-se à análise das amostras de sangue recolhidas no outro estudo, aos 11 e aos 71 meses após o seu início, de modo a verificar-se se tinha ocorrido ou não superinfecção.
Também se procedeu à colheita das histórias sexuais detalhadas de cada um dos 16 participantes, que revelaram que, durante o período do estudo, 75% de todos os episódios de sexo anal receptivo haviam sido realizados sem protecção.
Os testes utilizados pelos investigadores para a detecção de superinfecção incluíram isolamento do VIH, PCR, clonagem, sequenciação, análise filogenética, análise PCR estirpe-específica e análise de recombinação.
Os homens encontravam-se na relação com o parceiro há entre 3 e 15 anos. À excepção de um, todos tinham começado terapêutica ARV. Entre estes, apenas três apresentaram uma carga viral indetectável em todas as consultas do estudo.
A sequenciação viral mostrou que um doente tinha adquirido duas estirpes de VIH diferentes na altura da sua infecção inicial.
As restantes análises mostraram ter ocorrido superinfecção em dois casais. Apesar de se encontrarem a fazer TARV, foi detectada carga viral no indivíduo transmissor. “A adesão destes participantes à TARV era incompleta, como é evidenciado pela proporção de consultas de seguimento em que se detectou carga viral”, referem os autores do estudo.
“Três indivíduos apresentaram supressão da replicação viral em todas as visitas; nenhum deles pertencia a casais em que se detectou a transmissão do vírus”, comentam os investigadores, que acrescentam: “é razoável ver as pessoas que estão a fazer TARV como estando, pelo menos, parcialmente protegidas da aquisição de estirpes adicionais de VIH”.
Também sugerem uma possível razão para que os indivíduos com infecção VIH crónica apresentem um risco menor do que os recém-infectados de superinfecção. Referem: “em pessoas com infecção VIH estabelecida, há menos células do hospedeiro vulneráveis a novas estirpes virais”.
No que se refere às consequências clínicas destes dois casos de superinfecção, os autores não forneceram nenhuma informação. A autora do estudo, a Dra. Mary Campbell, disse ao aidsmap: “Também não conseguimos determinar se a superinfecção teve ou não implicações clínicas neste grupo, devido ao período relativamente curto de duração do estudo”.
“Estes dados devem constituir um alerta para o facto de que as medidas de precaução entre indivíduos infectados são necessárias”, concluem os investigadores.
Referência
Campbell MS et al. HIV-1 superinfection in the antiretroviral therapy era: Are seroconcordant sexual partners at risk? PLos One 4: e5690, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
