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O Cotrimoxazole tem um custo-eficácia elevado em crianças com VIH
Keith Alcorn, Monday, April 14, 2008
A profilaxia com cotrimoxazole em crianças infectadas pelo VIH, tem um elevado custo-eficácia, na Zâmbia, de acordo com os dados extraídos do estudo CHAP - Children with HIV Antibiotic Prophylaxis (Profilaxia com antibiótico em crianças infectadas pelo VIH) publicados em Março, na revista AIDS.

O ensaio clínico CHAP, cujos resultados foram divulgados em 2004, demonstrou que o uso do cotrimoxazole em crianças com idades compreendidas entre o 1º e 14º ano de vida, reduz o risco de morte em 43%, diminuindo também o número de episódios de internamento hospitalar.

De acordo com as últimas análises dos resultados deste ensaio, o cotrimoxazole reduz principalmente o risco de morte e de doenças graves através da diminuição da incidência de infecções pulmonares bacterianas e não da redução da incidência da pneumonia a PCP (Pneumocystis carinii) (apenas um caso de PCP foi diagnosticado no estudo CHAP).

Apesar destas conclusões, os países na África subsaariana têm sido lentos na implementação da profilaxia com cotrimoxazole em crianças. A UNAIDS estima que mais de quatro milhões de crianças com VIH poderiam beneficiar desta profilaxia e não a recebem, quer por falta de diagnóstico, quer pela falta de acesso ao tratamento.

A razão principal da falta de acesso a esta profilaxia é a competição entre recursos escassos para tantas prioridades.

De forma a arranjar provas que possam encorajar a alocação de recursos para o tratamento pediátrico, os autores recorreram aos dados do estudo CHAP referentes à incidência da doença, morte e hospitalização, juntamente com as medições percentuais das células CD4, para calcular o custo-eficácia do tratamento com cotrimoxazole, comparativamente com os resultados obtidos quando não se efectuou nenhuma profilaxia.

O custo-eficácia foi medido em termos de qualidade de vida ajustada em anos e nos anos ganhos sem doença graças à utilização da profilaxia com o cotrimoxazole.

O aumento do custo-eficácia numa intervenção representa o custo extra de intervenção em saúde comparando com os custos de não fazer nada, ou de continuar a exercer as práticas existentes e este montante irá variar de um local para outro de acordo com o custo do sistema de saúde.

O custo-eficácia é geralmente assumido se uma intervenção custar menos por ano de vida salva do que o PIB de um país.

No caso da Zâmbia, o cotrimoxazole teve um aumento de custo-eficácia de $72 por vida salva, em comparação com o PIB nacional de $1019 per capita, quando administrado nas consultas externas.

No entanto, a relação custo-eficácia ainda se tornou melhor quando foram utilizados os serviços dos cuidados básicos de saúde - $4 por vida salva – e os autores constataram que o custo-eficácia do cotrimoxazole é bastante sensível ao custo dos pacientes em ambulatório, argumentando para a possibilidade de prescrição do cotrimoxazole por enfermeiras e outros técnicos de sáude.

Em comparação, um estudo concluiu que a Terapêutica Anti-Retroviral (TAR) em adultos (utilizando dados do estudo cohort da Clínica de Khayelitsha, na África do Sul, em 2006) tem um rácio de custo-eficácia de $984 por vida salva, neste país. Não existe nenhuma estimativa disponível de custo-eficácia da TAR nas crianças.

Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)