YOU ARE HERE:
Na Europa, a transmissão de VIH resistente a medicamentos está a estabilizar
Uma equipa internacional de investigadores reporta na 15a edição do Journal of Infectious Diseases, agora online, que, na Europa, a transmissão de estirpes de VIH resistentes aos medicamentos tem vindo a estabilizar e em alguns casos a diminuir.
Em 20 países europeus e em Israel, entre 2002 e 2006, foram recolhidas amostras de sangue de pessoas recém diagnosticadas com VIH.
Uma análise destas amostras mostrou que houve uma pequena descida na transmissão do VIH resistente aos inibidores da transcriptase reversa nucleósidos (ITRNs). Além disso, verificou-se que a transmissão de resistências aos inibidores da transcriptase reversa não nucleósidos (ITRNNs) teve o seu pico em 2004, diminuindo em seguida, e que a transmissão de vírus resistentes aos inibidores da protease desceu de modo significativo durante o período de estudo.
Este padrão de declínio da transmissão de resistências coincide com taxas inferiores de resistências entre doentes a fazer terapêutica para o VIH. Por isso, os investigadores afirmam: “A concordância é animadora e indica que as tendências que observámos ao longo do estudo, na transmissão de resistências aos medicamentos, são uma consequência genuína da melhoria dos cuidados clínicos dos doentes".
A terapêutica anti-retroviral actual é tão eficaz que, quer os doentes que iniciam o tratamento com os medicamentos para o VIH pela primeira vez, quer os que têm uma história extensa de tratamento têm uma grande probabilidade de conseguir e manter uma carga viral indetectável.
No entanto, o tratamento com regimes mais antigos não teve resultados tão positivos, ou seja, uma proporção de doentes desenvolveu vírus resistentes e potencialmente transmissíveis aos parceiros/as.
Os investigadores do Programa SPREAD quiseram determinar a prevalência, as tendências e os factores de risco para a transmissão de resistências aos medicamentos entre 2002 e 2006.
A análise foi baseada em amostras de sangue obtidas de 2793 doentes recém diagnosticados com VIH. Estes doentes foram demograficamente representativos das populações mais afectadas pelo VIH na Europa e em Israel.
As amostras de sangue foram sujeitas à análise genotípica para determinar a presença de resistências aos ITRNs, ITRNNs e aos inibidores da protease.
A maioria dos doentes nascidos na Europa ocidental era constituída por homens gays (60%), enquanto que 98% dos doentes envolvidos no estudo que eram originários da África subsaariana eram heterossexuais.
Entre 2002 e 2006, a prevalência global de resistências transmitidas foi de 8%. Cinco por cento dos doentes apresentaram resistências aos ITRNs, enquanto que 2% tinham resistências aos ITRNNs e 3% aos inibidores da protease.
Em cerca de 1% dos doentes estavam presentes resistências a duas classes de medicamentos e menos de 0,5% eram resistentes às três classes.
Durante o período de estudo, a análise estatística mostrou que houve um declínio modesto na proporção dos doentes recém diagnosticados com transmissão de resistências aos ITRNs. O número dos doentes com resistências ao ITRNNs teve o seu pico em 2004, mas em seguida, desceu significativamente (p = 0.02). Os investigadores também constataram que entre 2002 e 2006 desceu significativamente o número de doentes recém diagnosticados com resistências aos inibidores da protease.
O subtipo B do VIH foi a estirpe mais prevalente do vírus (67%), seguido pelo subtipo A (10%) e subtipo C (7%).
Como era de esperar, os homens gay foram o grupo que tinha maior probabilidade de ser infectado pelo subtipo B (p < 0.001) e este subtipo foi significativamente mais prevalente entre as pessoas infectadas com VIH na Europa ocidental ou nos Estados Unidos (p < 0.001).
Além disso, os homens gay com subtipo B foram o grupo que apresentou maior probabilidade de ter resistências transmitidas aos medicamentos (p < 0.001). Os investigadores atribuem este resultado à longa história de terapêutica anti-retroviral neste grupo de doentes.
Os autores comentam que os dados representativos fornecem provas de uma tendência estabilizadora, ao longo do tempo, na transmissão global das resistências na Europa”.
Concluem que, “se constatou que a prevalência das resistências transmitidas globalmente entre os doentes da Europa, cuja infecção pelo VIH 1 foi recentemente diagnosticada, está a estabilizar em valores inferiores a 10% ... também parece que as resistências transmitida aos ITRNs estejam a estabilizar, enquanto que as transmitidas aos ITRNN e aos inibidores da protease diminuíram com o tempo. A infecção pelo subtipo B foi o factor preditivo mais forte de transmissão de resistências”.
Vale a pena notar que a análise dos investigadores parou em 2006. Desde então, vários novos medicamentos anti-retrovirais estão disponíveis, o que significa que até o doente mais experiente em tratamento tem a possibilidade de suprimir a sua carga viral para níveis indetectáveis. Isto, provavelmente, irá reduzir a transmissão de vírus resistentes e também do próprio VIH.
Referência
Vercauteren J et al. Transmission of drug-resistant HIV-1 is stabilizing in Europe. J Infect Dis 200 (edição online), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Em 20 países europeus e em Israel, entre 2002 e 2006, foram recolhidas amostras de sangue de pessoas recém diagnosticadas com VIH.
Uma análise destas amostras mostrou que houve uma pequena descida na transmissão do VIH resistente aos inibidores da transcriptase reversa nucleósidos (ITRNs). Além disso, verificou-se que a transmissão de resistências aos inibidores da transcriptase reversa não nucleósidos (ITRNNs) teve o seu pico em 2004, diminuindo em seguida, e que a transmissão de vírus resistentes aos inibidores da protease desceu de modo significativo durante o período de estudo.
Este padrão de declínio da transmissão de resistências coincide com taxas inferiores de resistências entre doentes a fazer terapêutica para o VIH. Por isso, os investigadores afirmam: “A concordância é animadora e indica que as tendências que observámos ao longo do estudo, na transmissão de resistências aos medicamentos, são uma consequência genuína da melhoria dos cuidados clínicos dos doentes".
A terapêutica anti-retroviral actual é tão eficaz que, quer os doentes que iniciam o tratamento com os medicamentos para o VIH pela primeira vez, quer os que têm uma história extensa de tratamento têm uma grande probabilidade de conseguir e manter uma carga viral indetectável.
No entanto, o tratamento com regimes mais antigos não teve resultados tão positivos, ou seja, uma proporção de doentes desenvolveu vírus resistentes e potencialmente transmissíveis aos parceiros/as.
Os investigadores do Programa SPREAD quiseram determinar a prevalência, as tendências e os factores de risco para a transmissão de resistências aos medicamentos entre 2002 e 2006.
A análise foi baseada em amostras de sangue obtidas de 2793 doentes recém diagnosticados com VIH. Estes doentes foram demograficamente representativos das populações mais afectadas pelo VIH na Europa e em Israel.
As amostras de sangue foram sujeitas à análise genotípica para determinar a presença de resistências aos ITRNs, ITRNNs e aos inibidores da protease.
A maioria dos doentes nascidos na Europa ocidental era constituída por homens gays (60%), enquanto que 98% dos doentes envolvidos no estudo que eram originários da África subsaariana eram heterossexuais.
Entre 2002 e 2006, a prevalência global de resistências transmitidas foi de 8%. Cinco por cento dos doentes apresentaram resistências aos ITRNs, enquanto que 2% tinham resistências aos ITRNNs e 3% aos inibidores da protease.
Em cerca de 1% dos doentes estavam presentes resistências a duas classes de medicamentos e menos de 0,5% eram resistentes às três classes.
Durante o período de estudo, a análise estatística mostrou que houve um declínio modesto na proporção dos doentes recém diagnosticados com transmissão de resistências aos ITRNs. O número dos doentes com resistências ao ITRNNs teve o seu pico em 2004, mas em seguida, desceu significativamente (p = 0.02). Os investigadores também constataram que entre 2002 e 2006 desceu significativamente o número de doentes recém diagnosticados com resistências aos inibidores da protease.
O subtipo B do VIH foi a estirpe mais prevalente do vírus (67%), seguido pelo subtipo A (10%) e subtipo C (7%).
Como era de esperar, os homens gay foram o grupo que tinha maior probabilidade de ser infectado pelo subtipo B (p < 0.001) e este subtipo foi significativamente mais prevalente entre as pessoas infectadas com VIH na Europa ocidental ou nos Estados Unidos (p < 0.001).
Além disso, os homens gay com subtipo B foram o grupo que apresentou maior probabilidade de ter resistências transmitidas aos medicamentos (p < 0.001). Os investigadores atribuem este resultado à longa história de terapêutica anti-retroviral neste grupo de doentes.
Os autores comentam que os dados representativos fornecem provas de uma tendência estabilizadora, ao longo do tempo, na transmissão global das resistências na Europa”.
Concluem que, “se constatou que a prevalência das resistências transmitidas globalmente entre os doentes da Europa, cuja infecção pelo VIH 1 foi recentemente diagnosticada, está a estabilizar em valores inferiores a 10% ... também parece que as resistências transmitida aos ITRNs estejam a estabilizar, enquanto que as transmitidas aos ITRNN e aos inibidores da protease diminuíram com o tempo. A infecção pelo subtipo B foi o factor preditivo mais forte de transmissão de resistências”.
Vale a pena notar que a análise dos investigadores parou em 2006. Desde então, vários novos medicamentos anti-retrovirais estão disponíveis, o que significa que até o doente mais experiente em tratamento tem a possibilidade de suprimir a sua carga viral para níveis indetectáveis. Isto, provavelmente, irá reduzir a transmissão de vírus resistentes e também do próprio VIH.
Referência
Vercauteren J et al. Transmission of drug-resistant HIV-1 is stabilizing in Europe. J Infect Dis 200 (edição online), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
