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Alguns subtipos de VIH podem ser portadores naturais de resistência ao tipranavir
David McLay, Monday, April 14, 2008
Alguns sub-tipos de VIH têm mais probabilidades de apresentar mutações genéticas que conferem resistência ao tipranavir (Aptivus®), mesmo em pessoas que nunca tomaram medicamentos anti-retrovirais, de acordo com um estudo publicado na edição da revista AIDS de 12 de Março. Os autores do estudo sugerem que estas descobertas podem ter implicações no tratamento de doentes experientes em tratamento que necessitam de fármacos activos a incluir numa nova combinação terapêutica.

A distribuição dos diferentes sub-tipos de VIH varia geograficamente. O subtipo B é comum no mundo desenvolvido e está bem estudado. Os sub-tipos não B constituem uma larga proporção de casos em algumas áreas, mas pouco se sabe sobre os padrões de resistência.

Os inibidores da protease (IPs), tipranavir e darunavir (Prezista®), são opções importantes para os doentes experientes em tratamento. Mas a sua adequação dependerá do perfil de resistências individual. Investigadores do Hospital Carlos III de Madrid colocaram a hipótese de que a resistência aos dois medicamentos podia variar com o subtipo do VIH e para o verificar fizeram uma análise retrospectiva de testes de resistências aos medicamentos realizados.

Os investigadores analisaram a resistência aos medicamentos anti-retrovirais num total de 1364 amostras usando tanto o teste à resistência genotípico como o fenotípico. Para o teste genotípico, foi usada a base de dados IAS-USA para identificar e avaliar as mutações associadas à resistência ao darunavir e três bases de dados foram consultadas para avaliar as mutações associadas à resistência ao tipranavir.

Para a análise, as amostras foram agrupadas por sub-tipos e por grupo de doentes naive ao tratamento e pelas que já tinham sido expostas aos IPs. Do total, 1178 amostras eram do sub-tipo B. Destas, 285 eram de doentes naive ao tratamento e 893 de doentes que já tinham tomado IPs. Os sub-tipos não B representavam as restantes 186 amostras, das quais 137 pertenciam a doentes naive ao tratamento e 49 a doentes que tinham recebido um IP.

Os investigadores descobriram que as mutações associadas à resistência ao darunavir eram significativamente mais comuns entre as amostras de sub-tipo B (número médio de mutações 0,4 ± 0,9) do que entre as amostras do sub-tipo não B (0,06 ± 0,3). As amostras do sub-tipo B tinham um número médio mais elevado de mutações associadas a resistência aos IPs do que as amostras do sub-tipo não B (4,9 ± 3,7 versus 4,2 ± 1,8, respectivamente), e tinham sido expostas a mais IPs (em média 2,5 ± 1,4 medicamentos para as amostras do sub-tipo B versus 1,2 ± 1,1 para as amostras do sub-tipo não B).

Pelo contrário, o número médio de mutações associadas à resistência ao tipranavir era significativamente mais elevado nas amostras do sub-tipo não B (2,7 ± 1 até 3,1 ± 0,9, dependendo da lista usada) em comparação com o sub-tipo B (0,7 ± 0,9 até 1,6 ± 1,8). Esta diferença manteve-se quando os investigadores analisaram amostras naive ao tratamento separadamente das amostras experientes em IPs.

Quando os investigadores avaliaram 422 amostras de doentes naive ao tratamento, descobriram que algumas mutações associadas à resistência ao tipranavir eram significativamente mais comuns nas amostras do sub-tipo não B (num espectro de 4,4% a 97,1% dependendo da mutação) do que nas amostras do sub-tipo B (espectro, 0,7 até 28,1%). No entanto, notaram que um sub-tipo, uma forma recombinante dos sub-tipos A e G, constituíam 39% das amostras do sub-tipo não B que provavelmente diferia da distribuição das suas descobertas . Em contraste, as mutações resistentes ao darunavir eram raras entre as amostras e não evidenciaram nenhuma diferença importante entre o sub-tipo B e sub-tipo não B.

O teste fenotípico de 29 amostras naive ao tratamento revelou duas amostras com resistência ao tipranavir, consideradas respectivamente como uma mudança de 2,1 vezes e 2,7 vezes. Testes genotípicos subsequentes revelaram que estas amostras eram do subtipo F e continham três mutações conhecidas ao tipranavir. A amostra com a resistência mais elevada também continha uma quarta mutação de resistência conhecida. Nenhuma das amostras mostrou resistência fenotípica ao darunavir.

Os investigadores concluíram que os sub-tipos não B apresentam um número relativamente elevado de mutações resistentes ao tipranavir. No entanto, apenas alguns sub-tipos F podem apresentar susceptibilidade reduzida ao medicamento. “Com base nesta observação” sugerem que “ pode valer a pena realizar a sub-tipagem do VIH antes de considerar o uso de TPV [tipranavir] na terapêutica de resgate em países onde o subtipo F é prevalente, como no Brasil, Argentina e Uruguai.”

Referências
Poveda E et al. Evidence for different susceptibility to tipranavir and darunavir in patients infected with distinct HIV-1 subtipes.AIDS 22:611-616,2008

Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)