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Um quarto das mulheres seropositivas nos Estados Unidos não faz vigilância anual para cancro cervical
Michael Carter, Wednesday, June 17, 2009
Quase um quarto das mulheres seropositivas nos E.U.A. não fizeram o rastreio anual para cancro cervical, reportaram investigadores na edição on-line do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes.

As taxas de vírus do papiloma humano são mais altas em mulheres seropositivas em relação à população geral. A infecção por algumas estirpes de vírus do papiloma humano pode conduzir a um aumento do risco de cancro cervical ou anal.

O cancro cervical pode ser prevenido e, quando presente, pode ser tratado com sucesso. O tratamento para o cancro cervical tem maior probabilidade de ser bem sucedido se diagnosticado numa fase inicial. Desde 1995 que as linhas orientadoras de cuidados de VIH nos Estados Unidos afirmaram que as mulheres seropositivas deveriam realizar dois esfregaços para o teste Papanicolau (Pap) no primeiro ano após o diagnóstico de VIH e realizar testes anualmente.

De forma a verificar se o rastreio para o cancro cervical estava a ser realizado como recomendado, os investigadores nos E.U.A. avaliaram a prevalência dos esfregaços para os testes Pap realizados no ano anterior em 2417 mulheres seropositivas para a infecção do VIH. Os factores associados à não realização dos testes Pap foram também avaliados.

As mulheres no estudo foram entrevistadas entre 2000 e 2004 e viviam em 18 estados Norte-Americanos. A maioria (69%) era de origem Afro-americana e 15% de origem Hispânica. A idade média foi de 39 anos. A pobreza era generalizada e 55% destas reportaram um salário anual abaixo de $10,000 por ano. No entanto, 83% tinham seguro de saúde privado e 74% afirmaram que os seus cuidados de saúde com o VIH eram fornecidos por uma comunidade ou clínica pública.
Apesar das linhas orientadoras afirmarem que as mulheres seropositivas para a infecção do VIH deveriam realizar pelo menos um teste Pap por ano, 556 mulheres (23%) afirmaram que não o tinham realizado no ano anterior à participação no estudo.

A idade mais avançada foi um dos factores associados com a ausência de um teste Pap (razão de probabilidade ajustada [RPA] = 1.,3 por dez anos, IC: 1.1 -1.4). Para além deste resultado, as mulheres que afirmaram não ter feito um teste Pap tinham maior probabilidade de ter uma contagem de células CD4 abaixo de 200 células /mm3(RPA = 1,6, IC:1.2-2.1).

Os casos em que as mulheres acederam a serviços ginecológicos estavam associados à probabilidade de terem efectuado um teste Pap. O grupo com menor probabilidade de ter tal teste foi o de mulheres Hispânicas, que tinham tido o seu último exame pélvico num local que não a sua clínica de rotina para o VIH. (RPA = 4,8, 95% IC: 2.7-8.4). Este resultado foi também encontrado em mulheres brancas (RPA = 2,3, 95% IC: 1.8 – 2.9) e Afro-Americanas (RPA = 2,1, 95% IC: 1.1-4.1).
Os investigadores comentaram que “quase um quarto das mulheres infectadas pelo VIH na população do nosso estudo não tinha recebido o rastreio recomendado para o cancro cervical”.

Acreditam também que este número poderá estar subestimado. Observam ainda que todas a mulheres do estudo estavam a receber cuidados relacionados com o VIH. As mulheres seropositivas para o VIH que não receberam os respectivos cuidados de saúde tinham ainda uma menor probabilidade de efectuar o tal rastreio. Adicionalmente, as mulheres reportam mais de um terço dos rastreios cervicais realmente realizados. Os investigadores observaram que um terço das mulheres neste estudo tinha sido diagnosticado com infecção pelo VIH há menos de um ano, e que estas deveriam portanto ter recebido dois testes Pap no ano anterior. Contudo, estes indivíduos não reportaram um aumento da prevalência do rastreio.

Os investigadores concluem que “os cuidados de saúde para o VIH deveriam assegurar que o rastreio para o cancro cervical fosse realizado duas vezes por ano após o diagnóstico, e que o seguimento deverá ser anual, tendo em particular atenção a realização de testes Pap em mulheres de idade mais avançada, mulheres com baixas contagens de células CD4 e mulheres a receber os cuidados ginecológicos num local diferente da sua fonte usual de cuidados para o VIH”.

Referência
Oster AM et al. Prevalence of cervical cancer screening of HIV-infected women in the United States. J Acquir Immune Defic Syndr (online edition), 2009.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA