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A maioria dos doentes tem uma relação de confiança com o médico após o início da terapêutica anti-retroviral
A grande maioria dos doentes seropositivos mantém uma relação de confiança com o médico após o início da terapêutica anti-retroviral, de acordo com um estudo francês publicado na 1ª edição do Journal of Aquired Deficiency Syndrome.
No entanto, 7% dos doentes perdeu a confiança no médico após o início do tratamento anti-retroviral. Os investigadores descobriram que tal estava associado com convicções relativas à saúde, em particular que o tratamento anti-retroviral não era benéfico, informação insuficiente ao doente e factores relacionados com o estilo de vida, tais como fumar.
Uma terapêutica eficaz significa hoje em dia que muitos, senão a maioria, dos doentes seropositivos terão a possibilidade de ter uma esperança de vida quase normal. Os doentes e os seus médicos vão ter de desenvolver uma relação de confiança que poderá durar décadas. Os investigadores franceses quiseram analisar a natureza e a evolução da relação entre doentes seropositivos e os médicos e verificar se podiam identificar quaisquer factores que pudessem levar a uma quebra de confiança.
Foram incluídos no estudo 1026 doentes que começaram a terapêutica anti-retroviral que incluía um inibidor da protease entre 1997 e 1999. Foram seguidos durante cinco anos. No início do estudo e de quatro em quatro meses, os doentes preenchiam um questionário e era-lhes pedido para avaliar o nível de confiança no seu médico numa escala de 4 (“confiança total”) até 0 (“nenhuma confiança”).
Os investigadores procuravam factores associados à perda de confiança incluindo também perguntas sobre questões relacionadas com o estilo de vida, tais como fumar, uso de drogas, convicções relativas à saúde, mudanças de tratamento e efeitos secundários.
No início do estudo, quase todos os doentes (943 doentes, 96%) reportaram ter uma relação de confiança com o médico. Nessa altura não havia qualquer factor associado à falta de confiança.
A duração média do seguimento foi 48 meses e durante este período 68 doentes (7%) relataram ter uma ou mais quebras de confiança na relação com o médico. Em 50% dos casos a confiança era restabelecida, mas em 35% a quebra de confiança foi permanente. Muitos doentes (20,29%) tiveram uma quebra de confiança no quarto mês após o início da terapêutica, mas a proporção dos doentes que reportaram problemas de confiança diminuiu constantemente a partir daí.
Os investigadores descobriram uma série de factores associados à perda de confiança. Incluíam idade jovem (as probabilidades diminuíram com cada ano a mais na idade), fumar regularmente, a percepção de que a terapêutica não era benéfica, insatisfação com a informação fornecida pelos médicos, mais efeitos secundários associados aos anti-retrovirais e uma contagem baixa de células CD4 no início do estudo.
Os investigadores afirmam que “É importante sublinhar que uma grande proporção de doentes da coorte reportaram ter uma relação de confiança durante todo período de cinco anos de seguimento após o início da terapêutica”, e acrescentam que “uma relação doente – prestador de cuidados parece ser uma característica bastante estável”.
Os investigadores notam a associação entre efeitos secundários e perda de confiança. Observam que “é essencial perceber o processo que leva a quebra de confiança…os efeitos secundários auto-reportados consistem numa avaliação subjectiva e podem ser considerados como um bom marcador das dificuldades dos doentes em gerir o tratamento numa base diária”.
Também referem a associação entre fumar e perda de confiança e sugerem que isto pode dever-se a atitude dos médicos em relação ao fumo. Os investigadores acham que “a pressão para mudar hábitos relacionados com o tabagismo pode destabilizar a relação doente - prestador de cuidados”.
Referências
Preau M et al. Prevalence and predictors of deterioration of a trustful patient-provider relationship among HIV-infected persons treated with antiretroviral therapy. J Acquir Immune Defic Syndr 47: 467-471, 2008
Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)
No entanto, 7% dos doentes perdeu a confiança no médico após o início do tratamento anti-retroviral. Os investigadores descobriram que tal estava associado com convicções relativas à saúde, em particular que o tratamento anti-retroviral não era benéfico, informação insuficiente ao doente e factores relacionados com o estilo de vida, tais como fumar.
Uma terapêutica eficaz significa hoje em dia que muitos, senão a maioria, dos doentes seropositivos terão a possibilidade de ter uma esperança de vida quase normal. Os doentes e os seus médicos vão ter de desenvolver uma relação de confiança que poderá durar décadas. Os investigadores franceses quiseram analisar a natureza e a evolução da relação entre doentes seropositivos e os médicos e verificar se podiam identificar quaisquer factores que pudessem levar a uma quebra de confiança.
Foram incluídos no estudo 1026 doentes que começaram a terapêutica anti-retroviral que incluía um inibidor da protease entre 1997 e 1999. Foram seguidos durante cinco anos. No início do estudo e de quatro em quatro meses, os doentes preenchiam um questionário e era-lhes pedido para avaliar o nível de confiança no seu médico numa escala de 4 (“confiança total”) até 0 (“nenhuma confiança”).
Os investigadores procuravam factores associados à perda de confiança incluindo também perguntas sobre questões relacionadas com o estilo de vida, tais como fumar, uso de drogas, convicções relativas à saúde, mudanças de tratamento e efeitos secundários.
No início do estudo, quase todos os doentes (943 doentes, 96%) reportaram ter uma relação de confiança com o médico. Nessa altura não havia qualquer factor associado à falta de confiança.
A duração média do seguimento foi 48 meses e durante este período 68 doentes (7%) relataram ter uma ou mais quebras de confiança na relação com o médico. Em 50% dos casos a confiança era restabelecida, mas em 35% a quebra de confiança foi permanente. Muitos doentes (20,29%) tiveram uma quebra de confiança no quarto mês após o início da terapêutica, mas a proporção dos doentes que reportaram problemas de confiança diminuiu constantemente a partir daí.
Os investigadores descobriram uma série de factores associados à perda de confiança. Incluíam idade jovem (as probabilidades diminuíram com cada ano a mais na idade), fumar regularmente, a percepção de que a terapêutica não era benéfica, insatisfação com a informação fornecida pelos médicos, mais efeitos secundários associados aos anti-retrovirais e uma contagem baixa de células CD4 no início do estudo.
Os investigadores afirmam que “É importante sublinhar que uma grande proporção de doentes da coorte reportaram ter uma relação de confiança durante todo período de cinco anos de seguimento após o início da terapêutica”, e acrescentam que “uma relação doente – prestador de cuidados parece ser uma característica bastante estável”.
Os investigadores notam a associação entre efeitos secundários e perda de confiança. Observam que “é essencial perceber o processo que leva a quebra de confiança…os efeitos secundários auto-reportados consistem numa avaliação subjectiva e podem ser considerados como um bom marcador das dificuldades dos doentes em gerir o tratamento numa base diária”.
Também referem a associação entre fumar e perda de confiança e sugerem que isto pode dever-se a atitude dos médicos em relação ao fumo. Os investigadores acham que “a pressão para mudar hábitos relacionados com o tabagismo pode destabilizar a relação doente - prestador de cuidados”.
Referências
Preau M et al. Prevalence and predictors of deterioration of a trustful patient-provider relationship among HIV-infected persons treated with antiretroviral therapy. J Acquir Immune Defic Syndr 47: 467-471, 2008
Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)
