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A adesão pode ser menos rigorosa quando se consegue uma supressão da carga viral do VIH por um período longo
Uma investigação realizada nos E.U.A. e publicada no PLoS One sugere que a necessidade de adesão perfeita ou quase perfeita ao tratamento da infecção pelo VIH é menos importante após um doente ter conseguido uma carga viral indetectável durante pelo menos um ano.
O estudo realizado em 221 doentes, sugere que, após um ano de carga viral indetectável, um doente pode falhar a toma de até metade das doses e ter apenas 2% de probabilidade de a carga viral voltar a subir, em comparação com 49% de probabilidade de uma nova subida da carga viral, a este nível de adesão, quando um doente tem apenas um mês de carga viral indetectável.
A adesão é o factor mais importante, sob controlo do doente, para o sucesso da terapêutica anti-retroviral. Com os medicamentos mais antigos, era necessária uma adesão quase perfeita para manter a supressão do VIH e mesmo os novos medicamentos anti-retrovirais requerem um nível muito elevado de adesão.
No entanto, os investigadores sugerem que níveis mais elevados de adesão são necessários para a supressão viral no período inicial, após o começo da terapêutica anti-retroviral, do que aquele que é requerido quando a carga viral se manteve indetectável por um período sustentado.
Uma equipa de investigadores chefiada pelo Dr David Bangsberg da “Initiative for Global Health” de Harvard, em colaboração com investigadores da Universidade de Califórnia, em São Francisco, hipotetisaram que o impacto da adesão sobre o risco da carga viral se tornar detectável deveria variar de acordo com o tempo em que um doente manteve anteriormente uma carga viral indetectável.
Conceberam, então, um estudo que incluiu 221 doentes, para determinar o efeito da adesão sobre a carga viral após períodos diferentes de supressão do VIH.
O estudo realizou-se entre 1998 e 2007. A adesão foi medida através de uma contagem inesperada dos comprimidos, na casa do doente, cada seis meses e cada pessoa era recrutada durante 12 meses.
O nível de adesão variou de 0 a 100%, com uma média de 92%.
Todos os 221 doentes do estudo alcançaram inicialmente a supressão virológica, mas 108 (49%) tiveram uma subida subsequente da carga viral.
A análise estatística mostrou que um risco inferior de falência virológica estava associado a uma duração mais longa da supressão da carga viral para níveis indetectáveis e ao tratamento de combinação de medicamentos ARVs baseado num inibidor não nucleósido da transcriptase reversa (ITRNN).
Para todos os níveis de adesão de 50% ou superiores, houve uma descida significativa no risco de a carga voltar a subir após doze meses de supressão do VIH, em comparação com o risco após a supressão da carga viral para valores indetectáveis de apenas um mês.
Um nível de adesão entre 50 e 74% após um mês de supressão bem sucedida do VIH foi associado a um risco de 50% de a carga viral voltar a ser detectável. No entanto, se um doente tinha mantido a carga viral indetectável durante um ano ou mais, a adesão, neste nível, foi associada a um risco aproximado de 2% de o VIH voltar para níveis detectáveis.
Contudo, os investigadores alertam que "enquanto que a proporção de adesão requerida para manter a supressão viral possa diminuir com o tempo, o objectivo de uma adesão quase perfeita não deveria mudar”.
Concluem que, “apesar de terapêuticas mais potentes e supressão viral sustentada possam reduzir as consequências de tomas falhadas, melhorar a adesão irá aumentar a probabilidade de uma supressão viral duradoura e sustentada”.
Referências
Rosenblum M et al. The risk of virologic failure decreases with duration of HIV suppression, at greater than 50% adherence to antiretroviral therapy. PLoS One: 4 (9), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
O estudo realizado em 221 doentes, sugere que, após um ano de carga viral indetectável, um doente pode falhar a toma de até metade das doses e ter apenas 2% de probabilidade de a carga viral voltar a subir, em comparação com 49% de probabilidade de uma nova subida da carga viral, a este nível de adesão, quando um doente tem apenas um mês de carga viral indetectável.
A adesão é o factor mais importante, sob controlo do doente, para o sucesso da terapêutica anti-retroviral. Com os medicamentos mais antigos, era necessária uma adesão quase perfeita para manter a supressão do VIH e mesmo os novos medicamentos anti-retrovirais requerem um nível muito elevado de adesão.
No entanto, os investigadores sugerem que níveis mais elevados de adesão são necessários para a supressão viral no período inicial, após o começo da terapêutica anti-retroviral, do que aquele que é requerido quando a carga viral se manteve indetectável por um período sustentado.
Uma equipa de investigadores chefiada pelo Dr David Bangsberg da “Initiative for Global Health” de Harvard, em colaboração com investigadores da Universidade de Califórnia, em São Francisco, hipotetisaram que o impacto da adesão sobre o risco da carga viral se tornar detectável deveria variar de acordo com o tempo em que um doente manteve anteriormente uma carga viral indetectável.
Conceberam, então, um estudo que incluiu 221 doentes, para determinar o efeito da adesão sobre a carga viral após períodos diferentes de supressão do VIH.
O estudo realizou-se entre 1998 e 2007. A adesão foi medida através de uma contagem inesperada dos comprimidos, na casa do doente, cada seis meses e cada pessoa era recrutada durante 12 meses.
O nível de adesão variou de 0 a 100%, com uma média de 92%.
Todos os 221 doentes do estudo alcançaram inicialmente a supressão virológica, mas 108 (49%) tiveram uma subida subsequente da carga viral.
A análise estatística mostrou que um risco inferior de falência virológica estava associado a uma duração mais longa da supressão da carga viral para níveis indetectáveis e ao tratamento de combinação de medicamentos ARVs baseado num inibidor não nucleósido da transcriptase reversa (ITRNN).
Para todos os níveis de adesão de 50% ou superiores, houve uma descida significativa no risco de a carga voltar a subir após doze meses de supressão do VIH, em comparação com o risco após a supressão da carga viral para valores indetectáveis de apenas um mês.
Um nível de adesão entre 50 e 74% após um mês de supressão bem sucedida do VIH foi associado a um risco de 50% de a carga viral voltar a ser detectável. No entanto, se um doente tinha mantido a carga viral indetectável durante um ano ou mais, a adesão, neste nível, foi associada a um risco aproximado de 2% de o VIH voltar para níveis detectáveis.
Contudo, os investigadores alertam que "enquanto que a proporção de adesão requerida para manter a supressão viral possa diminuir com o tempo, o objectivo de uma adesão quase perfeita não deveria mudar”.
Concluem que, “apesar de terapêuticas mais potentes e supressão viral sustentada possam reduzir as consequências de tomas falhadas, melhorar a adesão irá aumentar a probabilidade de uma supressão viral duradoura e sustentada”.
Referências
Rosenblum M et al. The risk of virologic failure decreases with duration of HIV suppression, at greater than 50% adherence to antiretroviral therapy. PLoS One: 4 (9), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
