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Quanto mais pessoas estiverem em tratamento ARV e quanto mais cedo ele for iniciado, mais novas infecções serão evitadas
O alargamento do uso do tratamento ARV – acompanhado de uma boa adesão – tem o potencial de reduzir significativamente a disseminação do VIH, de acordo com os resultados de um modelo matemático desenvolvido por investigadores canadianos e publicado na edição de 1 de Julho do Journal of Infectious Diseases.
O grupo responsável pela investigação calculou que mais de dois terços das novas infecções previstas para cerca de 2030 na British Columbia (uma província do Canadá) poderiam ser evitados se todas as pessoas elegíveis para fazerem tratamento ARV o iniciassem com uma contagem de CD4 de cerca de 350 células/mm3
– o actual limiar recomendado para início do tratamento.
Sabemos que é pouco provável que se venha a dispor, nos tempos mais próximos, de uma vacina do VIH eficaz, e que os esforços de prevenção apresentam apenas uma eficácia parcial.
Iniciar um tratamento ARV pode significar, por seu lado, uma vida mais saudável e prolongada para os indivíduos seropositivos.
Além dos benefícios a nível individual, a terapêutica ARV também pode trazer benefícios em termos de saúde pública, uma vez que, ao reduzir as quantidades de VIH no organismo, estes tratamentos reduzem significativamente a infecciosidade das pessoas seropositivas para o VIH.
Numa declaração controversa recente, alguns conhecidos médicos suíços sugeriram que as pessoas sob tratamento ARV, com uma carga viral indetectável, durante pelo menos seis meses, a fazer o tratamento de forma adequada e que não apresentassem uma infecção sexualmente transmitida (IST), não deveriam ser consideradas como constituindo um potencial foco de infecção para os seus parceiros sexuais.
Mesmo em países com acesso universal à terapêutica ARV, um importante número de doentes não começa o tratamento, mesmo quando a contagem de CD4 sugere que estão em risco de desenvolver uma doença definidora de SIDA.
Para se obter os melhores resultados e evitar o desenvolvimento de resistência aos fármacos, são necessários níveis de adesão muito elevados, o que muitos doentes, porém, têm dificuldade em atingir e manter.
Neste contexto, um grupo de investigadores da província canadiana de British Columbia – onde existe acesso universal e gratuito aos fármacos ARV – desenvolveu uma série de modelos matemáticos para avaliar de que forma o aumento do acesso à terapêutica ARV, o início precoce dessa terapêutica, bem como melhores níveis de adesão afectariam a disseminação do VIH na região, por volta de 2030.
Actualmente, apenas 50% das pessoas seropositivas para o VIH da província referida iniciam o tratamento antes das suas células CD4 caírem para valores inferiores a 200 células/mm3. Além disso, as pessoas em tratamento tomam aproximadamente 78% das suas doses – um número bem abaixo da meta dos 95% e a um nível que envolve um risco importante de se desenvolverem resistências aos fármacos.
Os investigadores calcularam que estes níveis de cobertura do tratamento e da adesão conduziriam a um modesto aumento no número anual de novas infecções VIH – de 421 em 2006 para 462 em 2030.
De seguida, foram avaliar o impacto potencial de se ter mais pessoas a iniciar o tratamento anti-VIH antes das suas células CD4 descerem abaixo do limiar das 200 células/mm3.
Os seus cálculos mostraram que se 75% dos doentes elegíveis começassem o tratamento nesta fase, o número de novas infecções conseguiria reduzir-se em 37%. Se a percentagem de doentes a começar o tratamento nessas circunstâncias (isto é, antes das suas células CD4 atingirem as 200 células/mm3) fosse de 100%, então 62% das novas infecções seriam evitadas.
As orientações terapêuticas um pouco por todo o mundo recomendam que o tratamento ARV seja iniciado quando as células CD4 se encontram na região das 350 células/mm. Também este início precoce do tratamento foi avaliado.
Uma vez mais, descobriu-se que a taxa de cobertura actual de 50%, acompanhada de uma adesão de 78%, resultaria num aumento modesto do número anual de infecções VIH.
Mas descobriram que uma maior cobertura do tratamento resultaria numa redução substancial do número de novas infecções. Os seus cálculos mostraram que se 75% dos doentes iniciassem o tratamento quando a sua contagem de CD4 fosse de 350 células/mm3, então, 40% das novas infecções projectadas para 2030 seriam evitadas. Este valor subiria para 67% se todos os doentes iniciassem o tratamento com esse valor de CD4s. O aumento da adesão dos doentes contribuiria, além disso, e ainda que modestamente, para um aumento do número de infecções evitadas.
De acordo com o modelo da equipa de investigação, uma expansão mais rápida do tratamento anti-VIH resultaria em decréscimos mais rápidos do número de novas infecções. Além disso, o alargamento imediato do acesso ao tratamento resultaria numa poupança de 95 milhões de dólares canadianos (ou 368 dólares canadianos por doente).
“Os nossos resultados mostram que uma maior cobertura em termos de tratamento ARV (HAART) conduz a um decréscimo do número de novas infecções pelo VIH”, escrevem os investigadores. E concluem: “o alargamento da terapêutica a mais pessoas deve conduzir a uma redução substancial do crescimento da epidemia do VIH e a uma redução dos custos de tratamento relacionados. O nosso modelo vem assim apoiar um poderoso mas, até agora, pouco reconhecido valor preventivo adicional do alargamento da cobertura do tratamento ARV”.
Referência
Lima VD et al. Expanded access to highly active antiretroviral therapy: a potentially powerful strategy to curb the growth of the HIV epidemic. J Infect Dis 198 (online edition), 2008.
O grupo responsável pela investigação calculou que mais de dois terços das novas infecções previstas para cerca de 2030 na British Columbia (uma província do Canadá) poderiam ser evitados se todas as pessoas elegíveis para fazerem tratamento ARV o iniciassem com uma contagem de CD4 de cerca de 350 células/mm3
– o actual limiar recomendado para início do tratamento.
Sabemos que é pouco provável que se venha a dispor, nos tempos mais próximos, de uma vacina do VIH eficaz, e que os esforços de prevenção apresentam apenas uma eficácia parcial.
Iniciar um tratamento ARV pode significar, por seu lado, uma vida mais saudável e prolongada para os indivíduos seropositivos.
Além dos benefícios a nível individual, a terapêutica ARV também pode trazer benefícios em termos de saúde pública, uma vez que, ao reduzir as quantidades de VIH no organismo, estes tratamentos reduzem significativamente a infecciosidade das pessoas seropositivas para o VIH.
Numa declaração controversa recente, alguns conhecidos médicos suíços sugeriram que as pessoas sob tratamento ARV, com uma carga viral indetectável, durante pelo menos seis meses, a fazer o tratamento de forma adequada e que não apresentassem uma infecção sexualmente transmitida (IST), não deveriam ser consideradas como constituindo um potencial foco de infecção para os seus parceiros sexuais.
Mesmo em países com acesso universal à terapêutica ARV, um importante número de doentes não começa o tratamento, mesmo quando a contagem de CD4 sugere que estão em risco de desenvolver uma doença definidora de SIDA.
Para se obter os melhores resultados e evitar o desenvolvimento de resistência aos fármacos, são necessários níveis de adesão muito elevados, o que muitos doentes, porém, têm dificuldade em atingir e manter.
Neste contexto, um grupo de investigadores da província canadiana de British Columbia – onde existe acesso universal e gratuito aos fármacos ARV – desenvolveu uma série de modelos matemáticos para avaliar de que forma o aumento do acesso à terapêutica ARV, o início precoce dessa terapêutica, bem como melhores níveis de adesão afectariam a disseminação do VIH na região, por volta de 2030.
Actualmente, apenas 50% das pessoas seropositivas para o VIH da província referida iniciam o tratamento antes das suas células CD4 caírem para valores inferiores a 200 células/mm3. Além disso, as pessoas em tratamento tomam aproximadamente 78% das suas doses – um número bem abaixo da meta dos 95% e a um nível que envolve um risco importante de se desenvolverem resistências aos fármacos.
Os investigadores calcularam que estes níveis de cobertura do tratamento e da adesão conduziriam a um modesto aumento no número anual de novas infecções VIH – de 421 em 2006 para 462 em 2030.
De seguida, foram avaliar o impacto potencial de se ter mais pessoas a iniciar o tratamento anti-VIH antes das suas células CD4 descerem abaixo do limiar das 200 células/mm3.
Os seus cálculos mostraram que se 75% dos doentes elegíveis começassem o tratamento nesta fase, o número de novas infecções conseguiria reduzir-se em 37%. Se a percentagem de doentes a começar o tratamento nessas circunstâncias (isto é, antes das suas células CD4 atingirem as 200 células/mm3) fosse de 100%, então 62% das novas infecções seriam evitadas.
As orientações terapêuticas um pouco por todo o mundo recomendam que o tratamento ARV seja iniciado quando as células CD4 se encontram na região das 350 células/mm. Também este início precoce do tratamento foi avaliado.
Uma vez mais, descobriu-se que a taxa de cobertura actual de 50%, acompanhada de uma adesão de 78%, resultaria num aumento modesto do número anual de infecções VIH.
Mas descobriram que uma maior cobertura do tratamento resultaria numa redução substancial do número de novas infecções. Os seus cálculos mostraram que se 75% dos doentes iniciassem o tratamento quando a sua contagem de CD4 fosse de 350 células/mm3, então, 40% das novas infecções projectadas para 2030 seriam evitadas. Este valor subiria para 67% se todos os doentes iniciassem o tratamento com esse valor de CD4s. O aumento da adesão dos doentes contribuiria, além disso, e ainda que modestamente, para um aumento do número de infecções evitadas.
De acordo com o modelo da equipa de investigação, uma expansão mais rápida do tratamento anti-VIH resultaria em decréscimos mais rápidos do número de novas infecções. Além disso, o alargamento imediato do acesso ao tratamento resultaria numa poupança de 95 milhões de dólares canadianos (ou 368 dólares canadianos por doente).
“Os nossos resultados mostram que uma maior cobertura em termos de tratamento ARV (HAART) conduz a um decréscimo do número de novas infecções pelo VIH”, escrevem os investigadores. E concluem: “o alargamento da terapêutica a mais pessoas deve conduzir a uma redução substancial do crescimento da epidemia do VIH e a uma redução dos custos de tratamento relacionados. O nosso modelo vem assim apoiar um poderoso mas, até agora, pouco reconhecido valor preventivo adicional do alargamento da cobertura do tratamento ARV”.
Referência
Lima VD et al. Expanded access to highly active antiretroviral therapy: a potentially powerful strategy to curb the growth of the HIV epidemic. J Infect Dis 198 (online edition), 2008.
