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Depois do tratamento para o VHC as recidivas em doentes co-infectados VIH/VHC são frequentes
Michael Carter, Friday, November 06, 2009
Um estudo espanhol, publicado na edição de Novembro da Clinical Infectious Diseases conclui que após um sucesso aparente do tratamento do vírus da Hepatite C ocorrem recidivas em mais de um terço dos doentes co-infectados pelo VIH e pelo VHC.

As recaídas foram mais comuns em doentes co-infectados pelos genótipos mais difíceis de tratar, (1 e 4). A maioria das recidivas ocorreu três meses após o fim do tratamento e a re-infecção pelo VHC foi responsável pela maioria das aparentes reincidências observadas após este período.

Uma percentagem significativa de doentes seropositivos para o VIH estão co-infectados com o VHC e a doença hepática causada por esta co-infecção é, actualmente, uma causa importante de doença e de morte em doentes infectados pelo VIH.

O tratamento para a hepatite C consiste na utilização de dois fármacos: Interferão Peguilado e Ribavirina, doseados de acordo o peso do doente. A duração do tratamento depende do genótipo com o qual o doente está infectado: os genótipos mais difíceis de tratar, o 1 e o 4, necessitam de 48 semanas de tratamento, enquanto os genótipos 2 e 3 são tratados em 24 semanas.

O objectivo do tratamento da hepatite C é conseguir que a carga viral seja indetectável 24 semanas depois de completar o tratamento. Apenas cerca de um terço dos doentes seropositivos para o VIH co-infectados com hepatite C crónica alcançam este resultado, o que se traduz numa taxa de resposta ao tratamento significantemente mais baixa do que a observada em doentes mono infectados com hepatite C (aproximadamente 50%).

É comum assumir que, assim que o doente alcance uma resposta sustentada à terapêutica para a hepatite C, este esteja curado e a hipótese de uma recidiva é muito baixa.

Os investigadores espanhóis tinham por objectivo compreender melhor a prevalência e o tempo da recidiva após a terapêutica da hepatite C. Esperam que as suas conclusões ajudem a perceber qual o momento oportuno para se utilizarem os novos medicamentos actualmente em desenvolvimento.

Os investigadores empreenderam então um estudo retrospectivo, que envolveu 604 doentes que receberam tratamento para o VHC entre 2001 e 2007. Aproximadamente dois terços da amostra do estudo (64%) eram seropositivos para o VIH.

Um total de 275 doentes (46%) tinha uma carga viral de VHC indetectável após completarem a terapêutica para a infecção. Contudo, apenas 37% dos doentes co-infectados alcançaram este resultado comparando com os 61% que estavam mono infectados.

Aliás, os doentes co-infectados tinham mais probabilidades de sofrerem uma recidiva do que os doentes mono infectados (33% vs 22%).

As recidivas foram observadas em 41% dos doentes co-infectados com os genótipos 1 e 4.

Com excepção de 3, todas as recidivas, ocorreram no período de três meses, após o fim do tratamento para o VHC.

Das três que ocorreram depois deste período, os investigadores consideram que duas delas se trataram de casos de reinfecção. As análises filogenéticas revelaram que estes dois doentes estavam infectados por uma estirpe do VHC diferente daquela para a qual tinham recebido tratamento.

“A recidiva da Hepatite C após um tratamento bem sucedido com peginterferão e ribavirina é mais comum em doentes co-infectados pelo VHC e pelo VIH do que nos doentes mono-infectados com Hepatite C”, concluem os investigadores.

Acrescentam ainda que, “independentemente do estatuto da infecção pelo VIH, a recidiva da hepatite C é mais comum em doentes infectados pelos genótipos 1 e 4 e, ocorre quase sempre, nas primeiras doze semanas após a descontinuação do tratamento. A maioria das ocorrências para além das doze semanas são reinfecções.”

Referência
Medrano J et al. Rate and timing of hepatitis C virus relapse after a successful course of pegylated interferon plus ribavirin in HIV-infected and HIV-uninfected patients. Clin Infect Dis 49:1397-1401, 2009.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA