Sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Tratamento anti-HIV
Eficácia da terapia de segunda linha
Pesquisadores juntaram informações obtidas de 22 estudos coortes no mundo todo.
A análise mostrou que logo depois que a terapia potente anti-retroviral foi disponibilizada, de 1996 a 1997, a incidência de falha virológica, durante a terapia de segunda linha, foi de 114 casos, o que baixou para 42 casos entre 2000 e 2001. Entre 2004 e 2005, a taxa de fracasso do tratamento de segunda linha tinha apresentado queda de somente 15 casos.
Entretanto, apesar desses avanços no controle da carga viral com a terapia anti-HIV de segunda linha, os pesquisadores descobriram que o risco de morte para os pacientes, cujo tratamento de segunda linha fracassou, permaneceu inalterado de 1996 a 2005.

Terapia anti-HIV tem bom desempenho nos países em desenvolvimento
Os estudos demonstraram que os programas de tratamento anti-retrovirais oferecem níveis altos de retenção pelo paciente – em um estudo em Ruanda, mais de 90%, depois de doze meses.
Os pacientes tratados com anti-retrovirais, no estudo de Ruanda, aumentaram bastante suas contagens de células CD4 e um estudo isolado realizado em KwaZulu-Natal mostrou que a mortalidade dos pacientes com tratamento anti-HIV caiu mais de 20%.
Além disso, análises de estudos conduzidos na África, América do Sul e no sudeste da Ásia mostraram que os pacientes que receberam tratamento anti-HIV apresentaram aumentos nas contagens de CD4 depois de cinco anos do início da terapia.

Kaletra uma vez ao dia tão seguro e eficaz quanto tomado duas vezes ao dia
A composição do comprimido do inibidor de protease Kaletra (lopinavir/ritonavir) funciona tão bem dosado uma vez ao dia quanto duas vezes ao dia.Após um ano, os pacientes tomando os comprimidos do Kaletra (lopinavir 800mg/ritonavir 200mg) uma vez ao dia tiveram a mesma probablilidade de alcançar uma carga viral indetectável quanto os pacientes que tomaram os comprimidos duas vezes ao dia (duas doses de lopinavir 400mg/ritonavir 100mg). O Kaletra foi tomado com o Truvada (tenofovir e FTC ou Emtricitabina).
Os pacientes tomando os comprimidos do Kaletra uma vez ao dia e duas vezes ao dia tiveram aumentos similares em suas contagens de CD4. O medicamento administrado uma vez ao dia não aumentou os riscos dos efeitos colaterais, incluindo a diarréia.

Doença
Linfomas
Pesquisadores alemães descobriram dois principais fatores de risco: a carga viral detectável, a qual aumentava o risco de desenvolvimento de linfomas de Burkitt ou do tipo Burkitt, e a contagem de células CD4 abaixo de 200 células/mm3, o que aumentava o risco para desenvolvimento do linfoma não-Hodgkin.
Por isso, é muito importante que os pacientes recebam tratamento com o objetivo que suprimir a carga viral aos níveis mais baixos possíveis, afirmou o pesquisador que conduziu o estudo.

Tuberculose resistente ao tratamento
A tuberculose resistente ao tratamento consiste em um problema crescente no mundo todo e casos de infecção por tuberculose altamente resistente ao tratamento de segunda linha (XDR-TB) vêm emergindo.
Os pesquisadores procuravam as razões pelas quais os pacientes estavam contraindo a tuberculose resistente ao tratamento. Por isso, conduziram um estudo incluindo pacientes com um histórico prévio de tuberculose e que foram, depois, diagnosticados com a tuberculose resistente a múltiplos medicamentos (MDR-TB) ou a XDR-TB.
Incluiu-se um total de 17 pacientes, maioria dos quais eram HIV-positivos.
Os exames mostraram que cada paciente tinha sido re-infectado com a classe resistente ao medicamento para tuberculose.
A re-infecção com a tuberculose resistente ao medicamento teve sérias conseqüências – 15 dos pacientes morreram dentro de duas semanas após o diagnóstico da infecção.
O controle adequado da infecção torna-se essencial para o controle da tuberculose resistente ao tratamento, enfatizam os estudiosos.

Prevenção da transmissão mãe-bebê do HIV
Crianças contraem o HIV resistente aos medicamentos
De acordo com um estudo, os bebês infectados com o HIV transmitidos por suas mães vêm freqüentemente adquirindo a classe dos vírus resistentes ao tratamento. Tal vírus resistente é normalmente adquirido durante a amamentação devido aos níveis do medicamento anti-HIV no leite materno serem muito baixos para se evitar a transmissão.

Tratamento para prevenir a transmissão mãe-bebê
Um estudo apresentado à CROI incluiu 38 mães HIV-positivas na África e Ásia. Todas as mulheres receberam o AZT (zidovudina) desde a 28ª semana de gravidez a fim de prevenir a transmissão mãe-bebê. Durante o parto, elas também receberam uma dose única de nevirapina, assim como o tenofovir e FTC. Elas permaneceram, então, com uma semana de tratamento com o tenofovir e FTC. As crianças receberam a nevirapina no nascimento e o AZT durante a primeira semana de vida.
Esse tratamento levou a grandes quedas nas cargas virais das mães. Nenhuma das crianças foi infectada com o vírus resistente aos medicamentos.
Cerca de um-quarto das mulheres sofreram efeitos colaterais e incidentes adversos foram observados em um proporção similar das criançcas. Porém, é provável que muitos destes não tenham sido relacionados ao uso dos medicamentos anti-HIV.

Prevenção do HIV
Crianças infectadas com HIV através de comidas pré-mastigadas
Três crianças nos EUA foram infectadas com HIV após comerem alimentos previamente mastigados. A comida continha sangue da boca do adulto cuidando da criança.
Os adultos HIV-positivos olhando por essas crianças estão sendo avisados para não alimentá-las com comida pré-mastigada.
Nos países onde os recursos são limitados, é comum oferecer comida previamente mastigada devido à escassez de alimentos infantis preparados. Em outras palavras, a mastigação prévia traz um risco bem maior onde a prevalência de HIV é alta e a higiene bucal é fraca.

Herpes e transmissão do HIV
Segundo um estudo realizado no Peru, o tratamento contra herpes para as mulheres abaixa a carga viral do HIV no sangue e na secreção vaginal.
O estudo envolveu 20 mulheres que foram infectadas com ambos HIV e herpes genital (HSV-2). Metade das mulheres receberam o medicamento anti-herpes valaciclovir para ser tomado todos os dias; as outras dez mulheres ficaram com o placebo.
Os resultados mostraram que o valaciclovir reduziu a carga viral no sangue e nos fluidos da vagina.
Ademais, um estudo conduzido entre homens gays nos EUA mostrou que os homens gays HIV-positivos com HSV-2 tiveram 16 vezes mais chance de passar o HIV para seus parceiros que não tinham a herpes genital. A supressão do HSV-2 em homens HIV-positivos reduziria, por isso, o risco de transmissão do HIV.
Relações entre indivíduos com status de HIV opostos: mais probabilidade de homens serem HIV-positivos do que as mulheres, e incidência baixa no uso de camisinha
O estudo observava o aconselhamento em casa e exames voluntários (VCT). Os “conselheiros” visitam as pessoas em suas casas e oferecem exames para HIV, o que parece ser uma boa forma de aumentar o número de exames para HIV.
Nas relações entre indivíduos com status de HIV opostos, os homens tinham mais probabilidade de serem infectados com o HIV do que as mulheres (55% vs. 33%).
A incidência do uso de camisinha nessas relações foi muito baixa, com 94% dizendo que nunca a usaram. Isso significa que houve um alto risco de um parceiro não-infectado adquirir o HIV.

News from CROI 2008
- CROI: <i>Kivexa</i> and <i>Truvada</i> have similar efficacy and safety
- CROI: Symptom checklist may help rule out advanced HIV in infants
- CROI: Region of origin and gender significant in long-term changes in CD4 cell count during effective HIV therapy
- CROI: Tetherin: a newly discovered host cell protein that inhibits HIV replication
- CROI: Recreational drug use a risk for asymptomatic heart disorders in HIV-positive patients
- CROI: Risk of lymphomas depends on cumulative viral load and latest CD4 counts
- CROI: Tenofovir plus emtricitabine safe and effective when added to nevirapine for PMTCT
- CROI: Once daily <i>Kaletra</i> tablets non-inferior to twice daily dose
- CROI: Door-to-door Ugandan VCT programme finds more HIV-positive males than females among serodiscordant couples
- CROI: HAART Breastfeeding study detects drug resistance in HIV-infected infants
- CROI: MDR TB cases in South Africa - person-to-person spread likely to be chief cause
- CROI: Large cohorts show excellent responses to ART in developing countries
- CROI: Untreated HIV-positive individuals have a higher risk of death even at CD4 counts over 350
- CROI: Delaying HAART while treating opportunistic infections increases the risk of disease progression and death
- CROI: Herpes virus suppression with valaciclovir lowers viral load in HIV positive women: could work for gay men too
- CROI: Risk of second virological failure has declined since 1996, but risk of death remains stable
- CROI: Biomarker changes may help explain detrimental effects of treatment interruption
- CROI: Nanoparticle technology creates a once-a-month HIV drug
- CROI: Three children in US infected with HIV from pre-chewed food
- CROI: TDM-based PI dose escalation shows modest benefit in black and Hispanic, but not Caucasian, treatment-experienced patients
- CROI: People receiving TB treatment no more likely to die than others who start ARVs
- CROI: AIDS vaccine: additional infection risk restricted to uncircumcised men
- CROI: Darunavir found effective and tolerable in treatment-experienced children and adolescents at 24 weeks
- CROI: Could earlier ART reduce risk of death from non-AIDS related illnesses in people with HIV?
- CROI: Sustained response to hepatitis C treatment lowers liver complications and death in HIV/HCV coinfected people
- CROI: Unplanned pregnancy frequent among women after starting ARVs, need for family planning
- CROI: HAART use in mothers substantially reduces HIV infections in breastfeeding infants in Kisumu, Kenya
- CROI: Extended infant nevirapine prophylaxis reduces HIV transmission through breastfeeding
- CROI: Risk of treatment interruption persists after restarting HAART
- CROI: CCR5 antagonist SCH532706 shows potent activity and good tolerability in small trial
- CROI: Pegylated interferon maintenance therapy demonstrates no benefit in HIV/hepatitis C coinfected individuals
- CROI: DAD cohort finds increased risk of heart attack in people taking abacavir or ddI
- CROI: Lactobacillus supplementation could help reduce vaginal HIV
- CROI: Recurrent hepatitis C in HIV-positive gay men: relapse or reinfection?
- CROI: Vicriviroc appears safe and effective at higher doses in treatment-experienced patients after 48 weeks
- CROI: Once-daily boosted atazanavir comparable to twice-daily Kaletra in treatment-naive patients, with better lipid profile
- CROI: Aciclovir treatment for genital herpes does not reduce HIV acquisition in men or women, major trial shows
- CROI: ARV provision in Africa could cut HIV transmission by 90 per cent
- CROI: Circumcising HIV positive men may increase HIV infections in female partners, but fewer STIs seen
