Quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Tratamento Anti-HIV
Mais evidências para início antecipado do tratamento para HIV?
Atualmente, os princípios para tratamento de HIV recomendam que a terapia anti-HIV deva ter início quando a contagem de células CD4 de uma pessoa estiver em cerca de 350 células/mm3.Mas há situações em que o tratamento deva ser iniciado quando as contagens de células CD4 estiverem ainda mais altas?
Evidências apresentadas à CROI sugerem que sim. Os investigadores observaram as taxas de progressão da doença do HIV e de morte de 23 coortes. Eles descobriram que os indivíduos HIV-positivos corriam um maior risco de vida do que a população em geral, mesmo quando as contagens de CD4 estavam acima de 350 células/mm3.
Mais de 46.000 pacientes foram incluídos na análise dos pesquisadores. Homens gays tiveram apenas um ligeiro aumento no risco de morte comparados à população em geral, mas, para os homens heterosssexuais e as mulheres, o risco de morte foi três vezes maior e, alguns, dez vezes maior para usuários de drogas injetáveis.
Embora os pesquisadores saibam que outros fatores, adversos ao HIV, podem ser a base para o maior risco de morte em alguns pacientes, particularmente os usuários de drogas injetáveis, eles acreditam que o próprio HIV estava causando as mortes, mesmo entre os pacientes com contagens de células CD4 mais altas.
Os resultados desse estudo parecem contribuir para a discussão sobre qual seria o melhor momento para começar tratamento anti-HIV. Hoje, alguns médicos pensam que o início de terapia anti-retroviral, quando a contagem de células CD4 estiver em 500 células/mm3t, traz benefícios.

Benefícios do início do tratamento quando o paciente apresenta uma infecção oportunista
Recomenda-se, geralmente, aos pacientes doentes por infecções oportunistas, que iniciem terapia anti-HIV assim que possível.
Um estudo apresentado à CROI demonstra que a introdução da terapia anti-HIV, enquanto um paciente ainda estiver em tratamento para suas infecções oportunistas, além de não aumentar o risco dos efeitos colaterais, reduz o risco de morte ou progressão da doença. Em outras palavras, seria melhor do que esperar até o término do tratamento para a infecção oportunista.
Pesquisadores americanos compararam dois grupos de pacientes que estavam doentes devido ao HIV e que não estavam em terapia anti-retroviral. Um grupo de pacientes começou, ao mesmo tempo, a terapia anti-HIV e o tratamento para suas infecções oportunistas. O outro, esperou para começar o tratamento anti-HIV até que a terapia para suas infecções tivesse sido finalizada.
O estudo não incluiu pacientes com tuberculose.
No geral, pouco menos da metade dos pacientes que iniciaram tratamento anti-HIV de forma imediata ou adiada sofreram maior progressão da doença do HIV e conseguiram baixar suas cargas virais para níveis indetectáveis.
Entretanto, análises adicionais dos resultados mostraram que os pacientes que adiaram o tratamento anti-HIV foram cerca de 50% mais prováveis de desenvolver uma outra doença causadora da AIDS, ou morrer, do que aqueles em tratamento imediato. E as contagens de células CD4 aumentaram mais lentamente naqueles que esperaram para iniciar o tratamento.
O início imediato do tratamento não apresentou maiores riscos. Uma vez que o tratamento foi iniciado, não houve diferença nem nas taxas de aderência entre os dois grupos de pacientes nem no risco de desenvolver uma síndrome inflamatória de reconstituição imunológica.

Marcadores biológicos talvez expliquem o risco das interrupções do tratamento
Pacientes que fazem interrupções no tratamento apresentam mais indicadores de inflamação, assim como de disfunção no revestimento dos vasos sangüíneos. De acordo com o estudo SMART, tal fato explicaria o maior risco de doença e morte devido às doenças normalmente não-associadas ao HIV, como doenças do coração, dos rins e do fígado.
Pesquisadores analisaram os resultados dos estudos sobre interrupção do tratamento SMART e STACCATO. Eles relataram à CROI que a replicação do HIV, durante as interrupções estruturadas do tratamento, afetou os principais marcadores biológicos que indicam inflamação, aumento dos coágulos sangüíneos e disfunção endotelial – diminuição da flexibilidade no revestimento dos vasos sangüíneos, um primeiro sinal de doença cardíaca.

Novos medicamentos anti-HIV
Darunavir desempenha bem em crianças experientes com tratamento
O tratamento anti-HIV pode desempenhar bem em crianças. Porém, há menos medicamentos anti-retrovirais disponíveis para o tratamento de HIV em crianças do que em adultos, o que pode ser um problema, já que muitas crianças possuem o HIV resistente aos medicamentos.O Darunavir (Prezisata) é um inibidor de protease reforçado pelo ritonavir e é uma importante opção de tratamento para adultos com o vírus resistente aos medicamentos.
Os resultados de um estudo apresentado à CROI mostram que o darunavir/ritonavir é um medicamento seguro e eficaz para crianças e adolescents que administram muitos medicamentos anti-HIV.
Um total de 80 crianças com idade entre seis e 17 anos foram incluídas no estudo. Elas receberam os medicamentos mais eficazes anti-HIV, escolhidos pelos testes de resistência, e o darunavir/ritonavir dosado por peso. As crianças apresentaram bastante resistência aos medicamentos anti-HIV.
Contudo, depois de seis meses de tratamento com a combinação de base darunavir/ritonavir, 50% teve uma carga viral abaixo de 50 cópias/ml e quase dois-terços tiveram uma carga viral abaixo de 400 cópias/ml.
Somente um paciete deixou de tomar o medicamento, devido aos efeitos colaterais. Por outro lado, houve apenas leves efeitos colaterais para a maioria das crianças, como problemas na barriga ou febre.

Pesquisa aponta para as perspectivas de um medicamento anti-HIV tomado uma vez ao mês
O tratamento anti-HIV, tomado uma vez ao dia, foi considerado um avanço, mas, recentemente, os pesquisadores vêm desenvolvendo um medicamento anti-HIV que poderia ser tomado somente uma vez ao mês.
Os pesquisadores vêm tentando descobrir outros medicamentos que pudessem ser formulados de modo similar, o que significaria que o tratamento anti-HIV potente, múltiplo poderia ser desenvolvido para ser injetado uma vez ao mês.
Essa tecnologia teria o objetivo de prevenir o HIV, promovendo, então, a profilaxia pré-exposição de longa duração ou um microbicida.

HIV e tuberculose
A tuberculose é a principal razão para doenças e mortes de indivíduos HIV-postivos em todo o mundo.
Devido ao risco de síndrome inflamatória da reconstituição imunológica e à interação de alguns medicamentos anti-retrovirais com os medicamentos importantes anti-tuberculose, cuidados especiais são necessários quando se inicia tratamento anti-HIV em pacientes com tuberculose.
Resultados animadores da África do Sul foram apresentados à CROI.
Porém, os pacientes com tuberculose apresentando uma contagem de células CD4 e peso corporal muito baixos correram maior risco de vida.

News from CROI 2008
- CROI: <i>Kivexa</i> and <i>Truvada</i> have similar efficacy and safety
- CROI: Symptom checklist may help rule out advanced HIV in infants
- CROI: Region of origin and gender significant in long-term changes in CD4 cell count during effective HIV therapy
- CROI: Tetherin: a newly discovered host cell protein that inhibits HIV replication
- CROI: Recreational drug use a risk for asymptomatic heart disorders in HIV-positive patients
- CROI: Risk of lymphomas depends on cumulative viral load and latest CD4 counts
- CROI: Tenofovir plus emtricitabine safe and effective when added to nevirapine for PMTCT
- CROI: Once daily <i>Kaletra</i> tablets non-inferior to twice daily dose
- CROI: Door-to-door Ugandan VCT programme finds more HIV-positive males than females among serodiscordant couples
- CROI: HAART Breastfeeding study detects drug resistance in HIV-infected infants
- CROI: MDR TB cases in South Africa - person-to-person spread likely to be chief cause
- CROI: Large cohorts show excellent responses to ART in developing countries
- CROI: Untreated HIV-positive individuals have a higher risk of death even at CD4 counts over 350
- CROI: Delaying HAART while treating opportunistic infections increases the risk of disease progression and death
- CROI: Herpes virus suppression with valaciclovir lowers viral load in HIV positive women: could work for gay men too
- CROI: Risk of second virological failure has declined since 1996, but risk of death remains stable
- CROI: Biomarker changes may help explain detrimental effects of treatment interruption
- CROI: Nanoparticle technology creates a once-a-month HIV drug
- CROI: Three children in US infected with HIV from pre-chewed food
- CROI: TDM-based PI dose escalation shows modest benefit in black and Hispanic, but not Caucasian, treatment-experienced patients
- CROI: People receiving TB treatment no more likely to die than others who start ARVs
- CROI: AIDS vaccine: additional infection risk restricted to uncircumcised men
- CROI: Darunavir found effective and tolerable in treatment-experienced children and adolescents at 24 weeks
- CROI: Could earlier ART reduce risk of death from non-AIDS related illnesses in people with HIV?
- CROI: Sustained response to hepatitis C treatment lowers liver complications and death in HIV/HCV coinfected people
- CROI: Unplanned pregnancy frequent among women after starting ARVs, need for family planning
- CROI: HAART use in mothers substantially reduces HIV infections in breastfeeding infants in Kisumu, Kenya
- CROI: Extended infant nevirapine prophylaxis reduces HIV transmission through breastfeeding
- CROI: Risk of treatment interruption persists after restarting HAART
- CROI: CCR5 antagonist SCH532706 shows potent activity and good tolerability in small trial
- CROI: Pegylated interferon maintenance therapy demonstrates no benefit in HIV/hepatitis C coinfected individuals
- CROI: DAD cohort finds increased risk of heart attack in people taking abacavir or ddI
- CROI: Lactobacillus supplementation could help reduce vaginal HIV
- CROI: Recurrent hepatitis C in HIV-positive gay men: relapse or reinfection?
- CROI: Vicriviroc appears safe and effective at higher doses in treatment-experienced patients after 48 weeks
- CROI: Once-daily boosted atazanavir comparable to twice-daily Kaletra in treatment-naive patients, with better lipid profile
- CROI: Aciclovir treatment for genital herpes does not reduce HIV acquisition in men or women, major trial shows
- CROI: ARV provision in Africa could cut HIV transmission by 90 per cent
- CROI: Circumcising HIV positive men may increase HIV infections in female partners, but fewer STIs seen
