Quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Tratamento anti-HIV

O início do tratamento quando a contagem de células CD4 estiver em 500 reduz o risco de contrair doenças sérias não-relacionadas ao HIV?

Atualmente, os prinicípios para tratamento (como aqueles na Europa e nos EUA) recomendam que o tratamento para HIV deva ser iniciado quando a contagem de células CD4 de um indivíduo estiver em cerca de 350 células/mm3 . Os princípios anteriores recomendavam o início do tratamento quando a contagem de CD4 estivesse em cerca de 200 células/mm3 .

A alteração deveu-se ao fato de que estudos mostraram que os pacientes começando tratamento com contagens de células CD4 mais altas apresentaram grandes melhoras a longo prazo em seus sistemas imunológicos. Além disso, resultados do estudo SMART para interrupção do tratamento mostraram que uma contagem de CD4 baixa aumentava o risco de sérias doenças relacionadas ao HIV, como alguns cânceres, doenças do coração, dos rins e do fígado.

Entretanto, podem os princípios para tratamento em breve recomendar que o tratamento se inicie quando a contagem de células CD4 estiver ainda mais alta? Há evidências do Reino Unido de que os pacientes com uma contagem de células CD4 de 350 células/mm3   possuem mais doenças relacionadas ao HIV e correm mais risco de vida do que aqueles com uma contagem de células CD4 de 500 células/mm.

Prof. Andrew Phillips do Royal Free Hospital, de Londres, analisou os resultados de diversos estudos comprovando que o HIV pode ser responsável por algumas doenças sérias não-relacionadas ao HIV. Ele sugeriu que quanto mais cedo o uso de terapia anti-retroviral, mais se reduz o risco de contração dessas doenças.

“Precisamos verificar se a terapia anti-retroviral deve ser iniciada antes em pacientes com contagens de CD4 acima de 500 células/mm” , afirmou oProf. Phillips à delegação da CROI.  

Monitoramento dos níveis de medicamentos

De acordo com um estudo dos EUA, apresentado à CROI, o aumento das doses dos inibidores de protease, após monitoramento do medicamento terapêutico, não garante que os pacientes experientes no tratamento atinjam e mantenham uma carga viral indetectável.   

Embora essa estratégia não tenha apresentado benefícios para os pacientes caucasóides, teve um efeito considerável na carga viral de indivíduos negros e hispânicos.

O estudo envolveu 194 pacientes experientes em pelo menos um inibidor de protease, mas que ainda possuíam uma carga viral acima de 1000 cópias/ml. 

Quatro semanas depois de mudar o tratamento para uma nova combinação à base de inibidor de protease, eles tiveram seus níveis de medicamentos na corrente sangüínea monitorados. Os pacientes com baixa concentração de  medicamentos no sangue foram escolhidos aleatoriamente para continuar com suas doses de inibidores de protease ou para aumentarem suas doses dos inibidores de protease.

No entanto, 20 semanas depois, a carga viral foi mais ou menos a mesma em ambos os grupos de pacientes.

Quando os pesquisadores analisaram mais detalhadamente os resultados, descobriram que o aumento da dose dos inibidores de protease apresentara resultados melhores em pacientes negros e hispânicos do que em pacientes brancos.

O nível de resistência que um paciente apresentou aos inibidores de protease também pareceu ter importância. Aqueles com menos resistência ao inibidor de protease tiveram as maiores reduções na carga viral depois que as doses de seus inibidores de protease foram aumentadas.

Transmissão mãe-bebê

Gravidez indesejada é comum em mulheres depois de início para tratamento anti-HIV

Um estudo realizado em Uganda descobriu que muitas mulheres engravidam, sem desejar, nos primeiros dois anos depois do início do tratamento anti-HIV.

O estudo envolveu 700 mulheres. Elas começaram tratamento anti-HIV entre 2003 – 2006. Embora quase todas as mulheres (97%) disseram não querer mais filhos, 17% engravidaram. O número chegou ao máximo depois de um ano do início do tratamento anti-HIV.  

Apenas 8% das mulheres estavam usando anticoncepcional duplo e somente 14% usavam métodos anticoncepcionais permamentes ou semi-permanentes.

Os pesquisadores sugerem que  os serviços para planejamento familiar devam ser parte essencial dos programas de tratamento para HIV.

Alimentos de substituição não aumentam o risco de gravidez

Um estudo conduzido na Costa do Marfim mostrou que as mulheres que usam substitutos infantis para alimentar seus bebês não correm maior risco de gravidez do que aquelas que amamentam.

Os resultados são surpreendentes, já que pensa-se que a amamentação pode oferecer algum tipo de proteção contra a gravidez.

Todas as mulheres receberam um medicamento anti-HIV por um curto período durante a gravidez a fim de prevenir a transmissão mãe-bebê do HIV. Depois disso, 54% das mulheres amamentaram seus bebês e 46% fizeram uso de substitutos alimentares.

Durante os doze meses seguintes, aproximadamente 4% das mulheres, utilizando qualquer método de alimentação infantil, engravidaram. Depois de 24 meses, um maior número das mulheres amamentando ficaram grávidas.

Tratamento para HIV reduz o risco de infecções por HIV em mulheres amamentando

Um estudo conduzido no Quênia, e apresentado à CROI, comprovou que o uso de medicamentos anti-HIV por seis meses, durante a amamentação, reduz significativamente o risco de uma mãe passar o HIV para seu bebê.

A amamentação envolve um risco de transmissão do HIV e recomenda-se que as mulheres não amamentem se houver outras opções seguras.  

Entretanto, em lugares onde os recursos são limitados, a amamentação é freqüentemente uma alternativa mais segura à alimentação com fórmulas. Por isso, aconselha-se que as mães HIV-positivas amamentem seu bebê até os seis meses de idade.

O estudo queniano envolveu 522 mulheres HIV-positivas, as quais receberam um medicamento anti-HIV desde a 32ª semana de gravidez e por seis meses após o nascimento de seus filhos. Elas foram encorajadas a amamentar exclusivamente seus bebês por esses seis meses e a desmamá-los.

Um total de 6% das crianças se tornaram infectadas com HIV nos primeiros doze meses de vida. Os pesquisadores estimaram que 3,5% dos bebês foram infectados devido à amamentação.

Profilaxia infantil prolongada reduz a transmissão do HIV durante amamentação

Outros estudos apresentados à CROI também abordaram a habilidade do tratamento anti-HIV em prevenir a transmissão mãe-bebê do HIV durante a amamentação.

Demonstraram que a nevirapina para as crianças, cujas mães são HIV-positivas, por seis a 14 semanas depois do nascimento, pode reduzir pela metade a taxa de transmissão do HIV devido à amamentação.

Porém, também houve evidências de que em crianças que foram infectadas com o HIV, o prolongamento do período de tratamento com nevirapina aumentou o risco de desenvolvimento de resistência ao medicamento.

HIV e hepatite C

Benefícios a longo prazo do tratamento eficaz para a hepatite C

Muitas pessoas com HIV são também infectadas com o vírus da hepatite C (freqüentemente chamada co-infecção por HIV/hepatite C). Recentemente, uma importante causa de morte desses pacientes co-infectados é a doença no fígado causada por hepatite C.

O tratamento para o vírus da hepatite C elimina a infecção em cerca de dois-terçcos dos indivíduos HIV-positivos que possuem infecção por hepatite C recente ou aguda e em cerca de um terço dos pacientes HIV-positivos com hepatite C a longo prazo ou crônica.

Um estudo apresentado à CROI mostra que o tratamento eficaz para a hepatite C traz benefícios a longo prazo para os pacientes co-infectados. O estudo espanhol envolveu pacientes HIV-positivos com hepatite C crônica e 31% respondeu bem ao tratamento para a hepatite C.

Os pesquisadores compararam as taxas de mortalidade por diversas causas, assim como as taxas da doença relacionada ao fígado e de morte entre pacientes que sucederam com o tratamento para a hepatite C e aqueles que não sucederam.

Eles descobriram que os pacientes que responderam ao tratamento para hepatite C tiveram menos probabilidade de morrer por qualquer outra razão e, também, apresentaram um risco bem reduzido de contrair a doença relacionada ao fígado ou de morte. Porém, as taxas de progressão da doença do HIV foram iguais em ambos os grupos de pacientes.

Prevenção do HIV

Falha da vacina

Ano passado, o estudo que tratava da vacina promissora da Merck, ad5, teve de ser interrompido quando se comprovou que as pessoas que receberam a vacina tiveram um risco maior de infecção por HIV do que aquelas que ficaram com o placebo.  

Uma análise detalhada dos resultados dos testes foi apresentada à CROI. Mostrou-se que o risco aumentado de contração do HIV foi quase inteiramente encontrado em homens não-circuncisos que fizeram sexo anal insertivo sem proteção.

Os pesquisadores acreditam que a vacina pode ter interferido nas respostas imunológicas naturais ao HIV dos homens, o que pode estar relacionado à imunidade dos homens ao adenovírus, um vírus comum do tipo do resfriado, o qual foi usado como o “veículo de entrega” da vacina.

News from CROI 2008